Um novo molho chucrute feito com excedentes de vegetais portugueses já está nas prateleiras das lojas Continente graças ao FermentedVegAlgae, um projeto de colaboração entre a MC SONAE, a Casa Mendes & Gonçalves e o Instituto Superior de Agronomia.
Graças à ajuda do Clube de Produtores Continente, através da plataforma Feira do Desperdício, foram identificados os vegetais mais desperdiçados em fresco pelos produtores com o objetivo de criar valor para os produtores e valorizar os seus produtos. Trata-se de um projeto de inovação na cadeia de valor que utiliza o excesso de vegetais e promove a economia circular.
Foram desenvolvidas receitas à base de couve-branca, couve roxa e macroalgas para aumentar o valor nutricional dos produtos. A fermentação foi escolhida como técnica de conservação, aproveitando os seus benefícios à saúde. O “molho chucrute” é um produto resultante desta parceria, oferecendo uma opção inovadora para os consumidores preocupados com a saúde intestinal.
Os produtos fermentados promovem uma flora intestinal equilibrada, um sistema imunitário melhorado e uma melhor absorção de nutrientes. A comercialização deste produto nas lojas Continente, é da responsabilidade do “Food Lab”, enquanto espaço para lançamento de produtos inovadores do Continente.
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As empresas Europastry e Fabridoce, sob a orientação da Academia do Clube de Produtores Continente, desenvolveram uma nova e irresistível experiência. Inspirados pela necessidade de reduzir o desperdício na produção dos ovos moles de Aveiro, criaram um recheio exclusivo para o "O nosso croissant". Assim surgiu o "O nosso croissant" com doce de ovos moles de Aveiro, que evita o desperdício de mais de 2 toneladas por mês de ovos moles que seriam desaproveitados pelo sensível processo de fabrico que provoca algumas perdas, como a rutura involuntária das hóstias. Essa iniciativa não apenas valoriza um produto regional tão importante para a nossa identidade gastronómica como também contribui para a redução do desperdício alimentar e promove a economia circular.".
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Através da Feira do Desperdício, o Clube de Produtores Continente juntou cinco associações de produtores de Maçã de Alcobaça (Narcfrutas, Cooperfrutas, Frutalvor, Campotec e Lusofruta), dois produtores de sumo fresco de maçã (Alitec e Frubaça) e um parceiro industrial (Mendes & Gonçalves), para produzir o Vinagre de Maçã de Alcobaça Continente Seleção. Um produto de valor acrescentado feito com fruta fora de calibre ou que, pelo seu aspeto, não seria valorizada em fresco.
Com esta iniciativa, o Clube de Produtores Continente contribuiu para evitar o desperdício de 50.000 kg de maçãs, na produção de 30.000 litros de vinagre.
O Vinagre de Maçã de Alcobaça Continente Seleção é produzido através de uma mistura de variedades de maçã selecionada, incluindo Golden, Royal Gala, Fuji, Granny smith, Reineta o que dá ao vinagre uma identidade e um sabor únicos.
Este produto é uma resposta ao desafio lançado pelo Clube de Produtores Continente, que tem como objetivo fomentar parcerias entre produtores que permitam o aproveitamento de excedentes das suas produções, contrariando assim qualquer desperdício ao nível da produção.
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Através da Feira do Desperdício, o Clube de Produtores Continente juntou dois produtores (a Pão de Gimonde e a Salsicharia da Gardunha) para produzir um produto de valor acrescentado, o Folar de Carne de Fumeiro. Feito com os excedentes de enchidos e fumados não vendáveis por uma questão de gramagem específica de venda a peso fixo, e subprodutos resultantes do processo produtivo, este folar contribuiu para evitar o desperdício de 2150 kg de enchidos (703kg Presunto Cubos e 1445 Kg Chouriço Cubos).
O Folar de Carne do Continente é também feito com cereais de proximidade, permitindo reduzir a pegada de carbono. Produzido com massa de folar tradicional, com o mesmo sabor de sempre, leve e fofa, este folar apresenta a carne e enchidos distribuídos pelo seu interior e em pedaços mais pequenos, tornando o seu sabor mais harmonioso.
Este produto é uma resposta ao desafio lançado pelo Clube de Produtores Continente, que tem como objetivo fomentar parcerias entre produtores que permitam o aproveitamento de excedentes das suas produções, contrariando assim qualquer desperdício ao nível da produção.
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No último ano, a Pão de Gimonde já conseguiu reaproveitar cerca de 2 toneladas de desperdício e criar novos produtos, graças à Feira do Desperdício e à parceria com outros produtores do Clube de Produtores Continente. Fundada em 1960, a empresa de Trás-os-Montes conserva os sabores de antigamente, sempre com os olhos postos na inovação. Esta dedicação foi internacionalmente reconhecida e a CEO, Elisabete Ferreira, fez história ao ser a primeira mulher do mundo a receber o prémio World Baker of the Year.
Como é que a Feira do Desperdício tem impulsionado a valorização dos vossos excedentes transformando-os em novas oportunidades de negócio?
A Feira do Desperdício permite-nos estabelecer novas parcerias e desenvolver novos produtos
Além da parceria com a Salsicharia da Gardunha, tem outro exemplo de uma parceria feita com a Feira do Desperdício que tenha sido fundamental para dar uma segunda vida a um determinado produto?
Também é nosso fornecedor a A. Pires Lourenço e Filhos, lda, com o presunto em aparas (das pontas do presunto) para a produção do folar. É uma relação de mais de uma década.
Que outras iniciativa a vossa empresa tem implementado para reduzir o desperdício alimentar e promover a economia circular na produção?
Participamos em projetos de investigação no combate ao desperdício alimentar como a TranscolabPlus, projeto transfronteiriço do INTERGEG que reúne vários produtores da indústria agroalimentar, do sector dos cereais, em que o propósito é desenvolver novos produtos com base em subprodutos de cada uma das indústrias parceiras
Quais os principais desafios e oportunidades que a empresa identifica para a prática da economia circular no setor agrícola?
Penso que passam por uma maior união do setor para que possam surgir sinergias. Se não conhecemos o vizinho, como podemos colaborar? Penso que a criatividade é ilimitada. Falo no caso do pão: um pão pode ter como ingredientes soro de leite, requeijão, sementes de abóbora, puré de abóbora, cenouras, farinha de cenouras, talos de brócolos, farinha de maçã,… não há impossíveis. Falamos de sustentabilidade a diversos níveis, ou seja, tem de ser economicamente viável, tem de ser saboroso e ser saudável. Se o nosso parceiro e cliente, Continente, nos apoiar na compra de um produto inovador e sustentável, que chegue ao consumidor, será sem dúvida uma aposta ganha e o planeta agradece.
Como é que a Feira do Desperdício pode contribuir para superar os desafios?
Penso que deverá haver dinâmica de todos, fornecedores/clientes. Todos devem contribuir, reunir mais, participar e realizar sessões de brainstorming para que possam surgir novos produtos.
No último ano, quantas toneladas de produto conseguiram reaproveitar e tiveram nova vida?
Cerca de 2 toneladas
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Fundada em 1982, a Salsicharia da Gardunha une conhecimento familiar com o gosto pela tradição dos enchidos e presuntos da região. Participante ativa da Feira do Desperdício, a empresa aposta na economia circular para valorizar todos os seus produtos, incluindo desperdício de produção que pode ser transformado em ofertas inovadoras para os consumidores. Cecília Maria Carmo conta como, através da plataforma do Clube de Produtores Continente, partilha produtos e dificuldades do processo produtivo com outros membros do Clube, valorizando a produção.
Como é que a Feira do Desperdício tem impulsionado a valorização dos vossos excedentes transformando-os em novas oportunidades de negócio?
A Feira do Desperdício é uma montra dos produtos que possam estar fora dos parâmetros do produto especificado por alguns clientes, ou até mesmo de produtos que são excedentes do nosso processo. Através desta plataforma damos a conhecer não apenas estes produtos, mas também algumas das dificuldades que representa um processo produtivo. Através desta iniciativa conseguimos alcançar sinergias entre produtores que são conhecedores das dificuldades da produção, e que valorizam os desperdícios de produção de uma forma mais valorizada do que o mercado em geral.
Além da parceria com a Pão de Gimonde, que outro exemplo de parceria feita com a Feira do Desperdício foi fundamental para dar uma segunda vida a um determinado produto?
Para além da parceria com a Pão de Gimonde temos outras parcerias com produtores, não apenas de produto direcionado para consumidor comum, mas também para a área de Petfood por exemplo. Estas parcerias são sempre desenvolvidas com o propósito de valorização quer do nosso produto, quer do produto final em que são integrados. Ou seja, muitos dos nossos produtos considerados desperdício do processo são trabalhados e processados de forma específica para integrarem o produto final. Exemplo: um chouriço que esteja fora de especificação de peso do cliente, pode ser convertido em chouriço rodela ou chouriço cubo, consoante a especificação do cliente que integre este “desperdício” no seu processo. Ou seja, ao longo da cadeia o chamado “desperdício” é tratado com os critérios de qualidade e segurança alimentar como qualquer outro artigo.
Quais os principais desafios e oportunidades que a empresa identifica para a prática da economia circular no setor agrícola?
Em termos de produto acabado existem diversas oportunidades e temos trabalhado com muitos parceiros nessa área. A maior dificuldade e desafio reside nos desperdícios que advêm de matérias-primas secundárias como plásticos por exemplo.
No último ano, quantas toneladas de produto conseguiram reaproveitar e tiveram nova vida?
Felizmente conseguimos não ter muitos produtos que estejam fora de especificação e que necessitem de ser trabalhados com outras características, no entanto, temos algumas toneladas que necessitam de integrar o programa de “dar nova vida aos desperdícios”.
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