
Na Herdade da Figueirinha, em Beja, o composto orgânico obtido através dos excedentes de produção já é um negócio e está a gerar postos de trabalho diretos. Filipe Ramos, diretor-geral, revela que a empresa já começou a comercializar o novo produto, num projeto que contou com incentivo e apoio do Clube de Produtores Continente.
A Herdade da Figueirinha estima chegou ao final do ano com 5000 toneladas de composto orgânico produzido, exclusivamente, a partir de excedentes de produção. Tratou-se de um aumento de 25% em comparação com 2024.
“Todo este projeto começou a ser pensado no ano em que houve o colapso das indústrias de extração de bagaço, por falta de capacidade. Isso criou uma grande dificuldade e um enorme embaraço à fileira do azeite. Ao mesmo tempo, nunca concordámos com a forma com que era tratado o nosso bagaço na indústria: para além da pouca valorização que nos davam, sujeitávamos as populações ao mau cheiro e ao fumo delas provenientes. Outra razão muito determinante foi a crescente necessidade de composto orgânico de qualidade no nosso país, fruto dos desafios provenientes dos acordos assinados com a Comissão Europeia. Achámos que se estava a fazer muito pouco”, conta Filipe Ramos.
A empresa queria fazer “muito mais” na área da sustentabilidade e da circularidade, mas não sabia como. “O desafio lançado pelo Clube de Produtores Continente foi o gatilho para andar para a frente com o projeto”, recorda.
Como pode a minha empresa gerar negócio com o desperdício?
Na plataforma Feira do Desperdício, criada pelo Clube de Produtores Continente, estão disponíveis anúncios de excedentes gerados pela produção de alimentos. A HIT é o principal parceiro da Herdade da Figueirinha e, este ano, deverá fornecer mais de 500 toneladas de retraço de tomate que são depois usadas no composto orgânico. “Temos, neste momento, 2 pessoas efetivas dedicadas à produção de composto e começamos a comercialização no final de 2025”, revela Filipe Ramos.
“O Clube de Produtores Continente foi absolutamente determinante na alavancagem da nossa unidade de compostagem. Ajudaram-nos imenso a adquirir conhecimento, a juntar as pessoas certas e a apoiar o desenvolvimento de todo o projeto”, garante.