Feira do Desperdício


Cecília Maria Carmo
Salsicharia da Gardunha

“Através da Feira do Desperdício conseguimos alcançar sinergias entre produtores”

Fundada em 1982, a Salsicharia da Gardunha une conhecimento familiar com o gosto pela tradição dos enchidos e presuntos da região. Participante ativa da Feira do Desperdício, a empresa aposta na economia circular para valorizar todos os seus produtos, incluindo desperdício de produção que pode ser transformado em ofertas inovadoras para os consumidores. Cecília Maria Carmo conta como, através da plataforma do Clube de Produtores Continente, partilha produtos e dificuldades do processo produtivo com outros membros do Clube, valorizando a produção.

Como é que a Feira do Desperdício tem impulsionado a valorização dos vossos excedentes transformando-os em novas oportunidades de negócio?
A Feira do Desperdício é uma montra dos produtos que possam estar fora dos parâmetros do produto especificado por alguns clientes, ou até mesmo de produtos que são excedentes do nosso processo. Através desta plataforma damos a conhecer não apenas estes produtos, mas também algumas das dificuldades que representa um processo produtivo. Através desta iniciativa conseguimos alcançar sinergias entre produtores que são conhecedores das dificuldades da produção, e que valorizam os desperdícios de produção de uma forma mais valorizada do que o mercado em geral.

Além da parceria com a Pão de Gimonde, que outro exemplo de parceria feita com a Feira do Desperdício foi fundamental para dar uma segunda vida a um determinado produto?
Para além da parceria com a Pão de Gimonde temos outras parcerias com produtores, não apenas de produto direcionado para consumidor comum, mas também para a área de Petfood por exemplo. Estas parcerias são sempre desenvolvidas com o propósito de valorização quer do nosso produto, quer do produto final em que são integrados. Ou seja, muitos dos nossos produtos considerados desperdício do processo são trabalhados e processados de forma específica para integrarem o produto final. Exemplo: um chouriço que esteja fora de especificação de peso do cliente, pode ser convertido em chouriço rodela ou chouriço cubo, consoante a especificação do cliente que integre este “desperdício” no seu processo. Ou seja, ao longo da cadeia o chamado “desperdício” é tratado com os critérios de qualidade e segurança alimentar como qualquer outro artigo.

Quais os principais desafios e oportunidades que a empresa identifica para a prática da economia circular no setor agrícola?
Em termos de produto acabado existem diversas oportunidades e temos trabalhado com muitos parceiros nessa área. A maior dificuldade e desafio reside nos desperdícios que advêm de matérias-primas secundárias como plásticos por exemplo.

No último ano, quantas toneladas de produto conseguiram reaproveitar e tiveram nova vida?
Felizmente conseguimos não ter muitos produtos que estejam fora de especificação e que necessitem de ser trabalhados com outras características, no entanto, temos algumas toneladas que necessitam de integrar o programa de “dar nova vida aos desperdícios”.

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